Os renegados de Cuba. Do avião tentávamos enxergar um sinal de vida, alguma luz que indicasse que estávamos sob a fatídica ilha de Cuba. Valho-me de tão severos termos em razão da vida dura que a maioria do povo que lá habita leva. Prometeram igualdade e dignidade, mas a triste realidade revelou-nos uma utopia, um sonho nunca realizado, mas somente idealizado.
Mas há quem ainda defenda essa idelogia, talvez por ignorar o mundo que há fora dali ou porque é mais fácil para aceitar a realidade que se impera. A meu ver aquela ilha é marcada por frustração de sonhos que ficaram somente no papel ou em palavras impactantes.
Continuando...chegamos, enfim na morada de Fidel. Logo no aeroporto os funcionários muito ríspidos nos receberam aos gritos, sinalizando para nos dirigirmo a ums dos balcões de atendimento. Já foi possível sentir o que nos esperava. Entramos no táxi e no caminho só víamos alguns cartazes com campanhas políticas, com nomes de presos políticos. As ruas desertas e mal iluminadas.
Chegando no Hotel, no centro Havana Velha, notamos alguns hóspeder na recepção com seus charutos e com cara de poucos amigos. Subimos para o quarto e parecia um hospital velho. Tudo muito antigo e mal conservado. Até papel higiênico era preciso ir em outro andar para buscar. O TV não funcionava bem e tb acho que não encontraríamos muita coisa interessante. Estávamos cansados, já era tarde, então fomos dormir. No outro dia, estava frio, nunca me esquecerei, abri a janela com grande expectativa, foi quando tive a impressão de que estava em uma guerra, pois a cidade parecia destruída, abandonada. Ao pensar que havíamos chegado de Cancun, um lugar de alegria, de festa e muita animação....nossa...todos ficamos rapidamente deprimidos e decepcionados....sim, estávamos em Havana.
Foram os dois dias mais longos da minha vida. Tudo bem conhecer culturas diferentes, mas a decepção foi inevitável. Muita gente fala bem e tem lembranças incríveis de lá, mas penso que essas pessoas tenham ficado em Hotéis de Luxo, bem longe da realidade do povo cubano, em lugares onde eles não têm acesso, não tem condições de pagar´. Andamos pela cidade, pegamos uma carroça para que nos levassem aos principais pontos turísticos. Fomos a restaurantes famosos como La Boeguita Del Medio e Floridita e mais uma vez, só vimos turistas. Os cubamos não tinham condições de frequentar esses lugares. Durante a tarde sentamos em um restaurante que ficava em uma praça, local muito bem frequentado e com música ao vivo. Lá compramos dvds do Buena Vista Social Clube. Fomos ao Museu da Revolução que mais parecia feira de ciências de estudantes de ensino fundamental...só uns cartazes mal recortados com informações à caneta sobre a vida e a revolução política ocorrida em Cuba. Depois partimos para Varadeiro....que comparada a Cuba foi menos desagradável. E mais uma vez conseguimos sentir que aquilo tudo, hotel com comida e bebida o dia todo, era um privilégio para pouquíssimos e isso nos deixava pra baixo.
Estava muito frio então não foi possível aproveitar a praia, que era realmente diferenciada. Bom, no fim valeu à pena porque serviu para refletirmos muito sobre a vida maravilhosa que temos aqui. Sim, aqui tb há desigualdade, pobreza e corrupção. Mas aqui há LIBERDADE, e isso definitivamente, depois da vida, é o bem mais precioso que temos.